Edições Caravela lança A raiz e a copa, livro de contos de Jaime Calatrava.

 

Jaime Calatrava escreve desde há muito. Já publicou na INTERNET e colaborou com o Jornal Deartes da cidade de Osório/RS. Agora, numa parceria com a Edições Caravela e o Instituto Cultural Português, publica o livro A raiz e a copa. O autor escreve contos curtos onde palavras, vírgulas e pontos conduzem os olhos através das páginas e esse caminho provoca o despertar, em cada um, do mundo das interpretações. Se por ordem das convenções e das normas o interpretar encontra-se recluso, no momento em que o livro é aberto surge a interpretação, o leitor a liberta. Para cada um que lê, as versões se multiplicam e isso é literatura. Para Jaime Calatrava seu livro A raiz e a copa pode ser definido como sendo um painel de anseios e contradições.

 

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Trechos

 

Redomas

Redomas envolventes, essas coisas transparentes enganam os sentidos, são casas dos medos.

 

Salto

            A inteligência surgiu natural, é como chamamos o acidente meticuloso. Agora gesta o próximo salto.

 

Forrado e empanado

            Ereto parece imenso e, respirando ira, solta lampejos de intenções não compreendidas.

            Ereto jurara amor, prometera liberdade, mas jamais abdicara da vontade suprema, Divina, forrada e empanada de argumentos.

            Rijo, o cajado tinha a força do inimigo e a dor da degradação.

            De joelhos diante do corpo ereto da severidade pedi perdão, beijei a mão e implorei por caridade que me deixasse viver.

 

Noite acesa

            ... mulheres, bruxas, mariposas erguem-se da penumbra de suas vidas para encher calçadas, restaurantes e os espelhos coloridos da noite. A lua já não é essencial.

            Homens praticam o mimetismo, simulam o que julgam ser... (parcial)

 

Ficção

            Para mostrar-se espontâneo você executa uma coreografia muito interessante. É verdade, observo com interesse seus movimentos. Não, não é necessário desculpar-se... (parcial)

 

No casamento

            Sobre o bolo de casamento, o indiferente boneco do noivo em breve assistirá a voracidade dos homens sem compostura por uma fatia da torta.

            A espera do sim, o teso boneco fixa o olhar na bailarina da caixinha de música, relíquia que a noiva ganhara antes de nascer.

 

Vidro quebrado

- Depois de uma experiência traumática, é comum que as pessoas levem algum tempo para voltar ao normal.

            - Não. Eu não falo de normal ou anormal.

            - E do que tu falas?

            - De vidro quebrado. Eu ainda sou eu, o mundo ainda é o mundo, só que o vidro está quebrado, o conteúdo vazou. Vidro quebrado não retém nada exceto sua própria natureza. (parcial)

 

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Contato com o autor: jaimecalatrava@gmail.com

 

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